terça-feira, 6 de março de 2012

ARTE E REVOLUÇÃO

Inevitavelmente estamos condenados a viver nossa época. Queiramos ou não, somos determinados historicamente e por mais extemporâneos que sejamos, nosso pensamento e nossa expressão, carregará sempre elementos de nossa época, de nossa realidade, de nossa cultura.

Nós, seres humanos, ao longo da história temos manifestado de diversas maneiras o nosso pensamento a respeito das coisas do mundo que nos circunda e muito dessas manifestação se deram e se dão por meio da expressão artística. Expressar sentimento, revelar segredos, ousar. Tudo isso faz parte do universo de intenções de um artista. Sujeito este que sempre teve e sempre terá um papel primordial para a sociedade, pois é sempre na arte que se pode perceber as idiossincrasias de uma determinada época e também prever futuras modificações na estrutura social e cultural de um povo.

Certa vez afirmou Nietzsche que “a cultura de um povo só avança em tempos de conturbação”. A meu ver, o que este sábio maluco queria dizer é que a revolução constitui-se no ponto máximo onde toda a potência cultural de um povo se vê diante de um novo rumo, de uma possibilidade de melhoramento em todos os aspectos. Portanto, é inegável que muito do que se tem de mais expressivo no mundo das artes tenha sido criado em momentos de revolução. Isso só mostra que o artista, quer queira ou não, tem um papel social importantíssimo, mesmo quando não tenha a intenção revolucionária. Segundo Ernest Ficher, “mesmo o mais subjetivos dos artistas trabalha em favor da sociedade, ... pois capacita o homem a compreender a realidade e a suportá-la” , isso significa dizer que o artista ao procurar a beleza acaba encontrando os caminhos pelos quais pode-se vislumbrar novas possibilidades de entendimento e por que não, mudanças.

Por fim, negar o papel revolucionário do artista é negar-lhe a historicidade e a condição de ser humano.

por Iderley lima.

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