Por quê metanóia?
Que fique bem claro que o termo que intitula este blog, (metanóia) não deve ser entendido de modo restrito, sendo tomada a visão da ortodoxia para sua compreensão. Ao longo do tempo atribuiu-se o significado de “arrependimento” ao mesmo, porem, retomemos aqui, a conotação original e mais ampla do termo, que vem do grego e significa “mudança radical de vida e de mentalidade”(E.F.B.Teixeira, p.66), ou seja mudanças dos estados mentais que levam à mudanças de consciência pela superação dos condicionamentos e da ignorância.
Para facilitar o entendimento, vejamos um pouco da filosofia de Platão.
Quando Platão elabora seu ideal de Paidéia para a pólis perfeita, usa como exemplo, para ilustrar o processo educacional, a alegoria da caverna. A educação, representada na alegoria, possui antes de mais nada, o papel de tirar o homem de seu estado de alienação e revelá-lo a compreensão da essência das coisas à luz do sol (entenda-se sol como conhecimento verdadeiro). Porém, este processo de saída da caverna não se dá de maneira tão cômoda e pacífica. O prisioneiro é como que forçado, empurrado, arrastado sempre mais para cima, e na maioria das vezes, resiste a tudo, pois está condicionado a vida na caverna, e uma vida diferente o amedronta. “ A educação é justamente essa atitude de forçar o homem a galgar píncaros sempre mais altos,... o prisioneiro que sobe os caminho íngremes para a saída da caverna, revela a busca do homem à procura de si mesmo, a superação de sua própria natureza” (EFB Teixeira, p65).
Tudo que é novo nos causa medo, por isso a mudança traz em seu bojo a crise. A crise em si, já faz parte da mudança e do fortalecimento do homem para encarar as transformações posteriores. A crise é um momento de provação e de provocação. Na crise todos nós somos provocados a construir e a demolir e também somos postos a provações, ou seja, somos tentados a permanecer comodamente com nossa ignorância, nossa “verdade”, e a optar sempre pelo mais fácil e cômodo ao invés do contrário.
Portanto, precisamos de um comportamento tipicamente filosófico, para superar essas intempéries causadas pela crise, pois “o filósofo é aquele que não teme pagar o preço do crescimento, ele realiza em si a mudança radical de vida e de mentalidade, ou seja, realiza a metanóia, o filósofo não teme caminhar pelos caminhos rudes e íngremes que conduzem para fora da caverna... o homem que não busca a verdade, e especificamente não procura a sua verdade, está condenado a cometer sempre o mesmo erro”.
É essa a conotação que daremos ao termo metanóia neste espaço. Mudança de mentalidade, mudança que revela novas possibilidades de ser, de conhecer, de compreender, e fazer diferente.
Referencias:
TEIXEIRA, EvilázioF.B. A educação segundo Platão. Ed. Paulus.
PLATÃO. A república. Ed. Martin Claret, 2007.