sábado, 7 de abril de 2012

arte? pra que serve?


Pra que serve a arte? Qual sua finalidade?
Para essas perguntas já se produziu diversas respostas, algumas românticas, outras utilitaristas, outras até mesmo religiosas. E dependendo da perspectiva que são respondidas, as utilidade e finalidade da arte percorrem caminhos as vezes sublimes, as vezes insignificantes.
Não sou nenhum especialista em arte, mas, me considero artista e o contato permanente com a mesma, sem dúvida, me permite expressar opiniões a respeito, afinal de contas, de médico, filósofo e louco todo mundo tem um pouco.
Concordo com a ideia de que a arte é uma forma de amenizar a crueldade e a feiura da realidade, é através dela que somos capazes de suportar a vida, e isso vale pra toda e qualquer forma de arte e também para todo e qualquer sujeito, praticante ou “contemplante” da arte.
A obra de arte gira em torno da beleza, e a beleza se configura ou se “desfigura” de variadas maneiras para alcançar seus objetivos. Penso que, se o propósito da arte é a contemplação, a obra necessita de harmonia entre os traços, entre as cores, entre as notas, entre as expressões, etc. pois o sujeito que contempla procura a leveza nas coisas, procura a beleza harmônica que esteja de acordo com o seu estado de concentração, pois, contemplação exige concentração, portanto, a beleza aqui, reside na harmonia que a obra expressa.
Por outro lado, quando o propósito da arte não é contemplativo mas sim reflexivo, ou seja, provocar  a reflexão sobre algo ou para algo, a obra deixa de lado a harmonia e usa a “desarmonia, a desfiguração”, a feiura, para alcançar o belo. A beleza da obra nesta perspectiva, reside na estranheza, no susto, na desconcentração do sujeito.
Assim sendo, podemos dizer que a arte serve para nos proteger da cruel realidade que preferimos não ver, e tem como finalidade alcançar a beleza, sendo que a beleza pode se configurar ou se “desfigurar” na obra de arte provocando respectivamente a contemplação ou a reflexão.
O certo é que se tirarmos dos olhos as escamas cultural e artística que se interpõem entre o sujeito e a realidade, a crueza da segunda certamente nos enlouqueceria e a vida não passaria de um tormento.
(Iderley Lima)