(comentário a respeito da história das civilizações)
A quanto anda nossa evolução? Será que ainda falta muito para atingirmos o clímax evolutivo? Que será seremos daqui a uns milhões de anos?. Perguntas como estas pressupõem que somos realmente evoluídos, ou melhor, que estamos em processo de evolução contínua.
Nós, seres evoluídos biologicamente e também culturalmente, pensamos que somos o que de melhor a natureza e a cultura já criaram, porém, somos mais prejudiciais ao universo do que um buraco negro que tudo suga para um vazio kósmico. Somos nossa maior desgraça, usamos nossa inteligência para acabar com o que tínhamos de melhor, nossa sabedoria natural, nossa selvagem inteligência, que ainda hoje, em longínquos torrões verdes, com certa dificuldade, é possível encontrar e comprovar sua grande superioridade em relação a nossa “civilidade”. Aliás eu pergunto: o que é ser civilizado? Será que ser civilizado é compreender que somos parte da natureza e que não temos o direito de destruí-la, será que ser civilizado é obedecer as regras sociais sem a necessidade da imposição das leis escritas e a repressão jurídica. Será que ser civilizado é pensar além do próprio tempo e da própria existência e querer contribuir com a vida das futuras gerações. Se essas forem algumas das características definidoras do que seja civilização, eu sinto em dizer, mas, infelizmente ainda estamos longe demais de sermos considerados civilizados. Talvez nossa civilidade se restrinja apenas ao fato de vivermos em cidades e nada mais que isso.
Não percebemos, mas estamos trilhando nossa evolução no sentido contrário. Evoluir significa transformar-se em algo melhor do que se é, e o que temos observado é que a cada dia nós nos tornamos piores, piores do que já somos. Nós, seres humanos civilizados, criamos conceitos que designam a nós mesmos como sendo superiores, e jamais estaremos em outro lugar senão no topo de toda e qualquer escala que se proponha medir a evolução. Por isso, olhamos com desdém aos nossos antepassados, e até mesmo aos humanos que resistem em não trilhar os estúpidos caminhos estipulados por essa nossa “civilização”, então os julgamos como seres retrógrados que se opõem ao inevitável. Estou me referindo as poucas tribos mundo a fora, que ainda não sucumbiram diante da “civilidade” branca. Talvez ainda resistam pela necessidade de, quem sabe, nos mostrar, que ser civilizado não significa nada do que pensamos ser.
Obviamente não estou querendo que todos abandonemos nossa “bela vida civilizada” e voltemos a viver nas cavernas. Seria patético de minha parte pensar em uma hipótese absurda assim. Não quero propor sugestões, muito menos salvar o mundo, pois penso que os trilhos já estão direcionados e é inevitável não percorrer sobre os mesmos. Que cheguemos ao fim, mas cheguemos conscientes dos grandes montes de esterco que fizemos no decorres de nossa ínfima história, que um dia chamaram história das civilizações.
Iderley Lima
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